quarta-feira, 31 de março de 2010
Amor, sexo e o cérebro masculino (Expresso online)
Ele entra em "transe" quando olha para o peito de uma mulher mas consegue ser mais sensível do que ela. Ele é domado pelas ferormonas da mulher grávida. É o cérebro masculino, descodificado por Louann Brizendine, médica psiquiatra do núcleo de Psiquiatria e Neurologia da Universidade da Califórnia. Clique para visitar o canal Life & Style.
Manuel Tinoco de Faria (www.expresso.pt)
11:40 Sexta-feira, 26 de Março de 2010
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Eles que tomem atenção, porque Louann Brizendine, médica psiquiatra do núcleo de Psiquiatria e Neurologia da Universidade da Califórnia, fez uma viagem com paragem em todas as estações. Desejo carnal. Territorialidade. Testosterona. Reacções emocionais. Andropausa. Depressão pós-divórcio. Louann Brizendine sabe do que fala, pois acabou de lançar o seu novo livro, "O Cérebro Masculino", sucessor de "O Cérebro Feminino", também da sua autoria.
Louann concluiu que o cérebro, deles e delas, é parecido. Mas tem muitas diferenças. Vamos então descobrir qual o sexo que fica a ganhar no verdadeiro campeonato da massa cinzenta.
Os homens começam por se destacar pelo apetite sexual. Têm uma tendência inata para a "predação sexual". Numericamente falando, fique a saber que a zona do cérebro masculino que desperta o interesse pelo outro sexo é quase três vezes superior à do cérebro feminino.
Eles são, como bons predadores, muito territoriais. Louann Brizendine concluiu que o núcleo dorsal premamilar está também melhor desenvolvido no cérebro masculino, o que é como dizer que os homens têm mais circuitos de alerta para ameaças de outros homens. Parecem ser também mais atentos do que elas. A provar pelo tamanho da amígdala cerebelar, maior do que a feminina. Isto significa uma superior capacidade de pressentir o perigo.
Ganham na atenção, ficam para trás no percepção. Porquê? Porque, segundo Louann, "o sistema de neurónios espelho é maior e mais activo nas mulheres", o que lhes permite "'sentir' as outras pessoas, através da observação de expressões faciais, da interpretação de tons de voz e de outras manifestações não-verbais".
Para se perceber grande parte das reacções masculinas, há que apontar o dedo à testosterona, analisada e explicada pelas páginas d'"O Cérebro Masculino". Pelos vistos, "se a testosterona fosse cerveja, uma criança de nove anos bebia uma por dia. E um adolescente de quinze já ficava muito mal tratado: quase oito litros!". Conclui a investigadora que "um adolescente produz vinte a vinte e cinco vezes mais testosterona do que um pré-adolescente", acrescentando que "isto faz com que seja impossível ele parar de pensar no corpo feminino, no peito, no rabo, em sexo!".
Sexo e/ou estabilidade?
A partir da questão hormonal, a investigadora chega ao ponto de chamar "transe masculino" à fixação masculina pelo sexo oposto. E justifica: "gostava de poder dizer que os homens conseguem deixar de sair deste transe mas, cientificamente falando, não podem! Eles têm circuitos visuais imparáveis, estão programados para procurar constantemente uma parceira fértil", adianta.
Este tipo de 'mentalidade', "perfeitamente natural", na opinião de Brizendine, leva a que (o cérebro de) eles e elas encare com perspectivas diferentes uma relação entre ambos: "O cérebro feminino é programado para encontrar, antes do sexo, estabilidade e confiança num potencial parceiro. O mesmo não acontece no do homem, bombardeado por estímulos que lhe impelem a acasalar e a acasalar, literalmente"
A pesquisadora remata o capítulo hormonal descansando a comunidade feminina, assegurando que "mais tarde, claro que o homem vai encontrar uma parceira com quem tenha uma relação para o resto da vida".
Quando uma criança satisfaz muito bem
Um homem em plena procura de uma parceira nada tem a ver com um pai exemplar, dedicado e preocupado. Porém, segundo a investigadora, "é isso que o futuro lhe reserva", porque "quando a sua companheira estiver grávida emite ferormonas que lhe baixam os níveis de testosterona em trinta por cento e estimulam a produção de prolactina".
O que implicam estas alterações hormonais? Para Louann, "uma maior vontade em ajudar com o bebé, além do desenvolvimento dos circuitos de percepção, ou seja, ouvem melhor uma criança a chorar, que é algo que eles não dominavam antes de as suas mulheres engravidarem", prossegue, antes de prevenir as mulheres para deixarem os maridos pegarem nos filhos: "Quanto mais colo um bebé recebe do pai, mais formatado fica o seu cérebro para a paternidade".
Quando as aparências iludem
Apesar dos homens terem a reputação de ser mais frios do que as mulheres, acabam por ter reacções emocionais mais intensas do que elas. Estudos feitos a expressões masculinas mostram que "ele reage emocionalmente, no momento, de forma mais intensa que a mulher, mas, passados dois segundos e meio, muda de cara e esconde a emoção, ou inverte-a", diz Louann, para rematar que "a repetição desta prática leva a que muitos homens tenham aquela cara de poker".
Louann Brizendine não está a brincar quando diz que esta cara de poker "leva o homem várias vezes a dormir no sofá". Basta que "Imaginemos que a mulher está a chorar por causa de problemas na relação". Como deveria ele reagir? "Abraçando-a". Como se porta o cérebro dele enquanto ela discute? "Procura freneticamente soluções, está sempre em análise, quer resolver o problema o mais rápido possível".
Segundo a investigadora, "os homens usam a estrutura analítica do cérebro para resolver um problema, enquanto elas usam a emocional".
"Quando a mulher lhe conta que tem um problema e ele quer resolvê-lo em vez de a ouvir, ela pode ficar com a impressão que ele é um insensível. Mas não é isso que se passa dentro da sua cabeça!", afiança Louann.
"O seu cérebro está a pensar em resolver a situação para aliviar a dor dela o mais rápido possível. Não porque se quer chatear ou não queira ouvir mas porque a ama verdadeiramente", acredita a investigadora.
Quando a chama se apaga: a andropausa
Com o passar dos anos, nenhum homem escapa ao envelhecimento. Cérebro e e corpo começam a 'queixar-se' e... ei-lo chegado à andropausa. A rainha das hormonas masculinas entra em descompensação e entra em cena a hormona feminina que tantas alegrias lhe proporcionou na adolescência e na idade adulta: os estrogéneos.
Louann Brizendine exemplifica: "Quando o Avô é o herói dos netos ou o rezingão que estes odeiam visitar, deve-se a esta relação hormonal. Se os níveis de testosterona descerem anormalmente, o homem fica mais cansado, irritadiço, deprimido".
Alguns homens nesta condição "procuram terapias de substituição hormonal, outros preferem o exercício, ter sexo com mais frequência ou manter uma vida social activa". Assim se porta o avô rezingão. E o 'querido'? "Desenvolve mais oxitocina, uma hormona produzida no hipotálamo, também conhecida por 'hormona dos abraços'".
É um avôzinho que "adora brincar, ouvir as histórias dos netos e é muito mais paciente com eles do que alguma vez foi com os filhos. Aliás, nesta fase, os circuitos amorosos do cérebro masculino são mais estimulados pelos netos do que alguma vez foram pelos filhos".
Cérebros divorciados
"Sessenta por cento dos divórcios que acontecem em casais acima dos cinquenta anos são pedidos pelas mulheres", o que deixa alguns homens, segundo Louann, "devastados e assustados". "Assim que a mulher desaparece, a não ser que o homem se esforce para estar com outras pessoas, o seu cérebro deixa de fazer exercício social, tão importante para fazê-lo sentir-se bem consigo próprio".
"Se ele se tornar um solitário, os seus circuitos de aprovação social não são activados", explica, antes de demonstrar que "em electroencefalogramas de idosos socialmente activos verifica-se que as zonas de prazer e de autoconfiança estão bem mais desenvolvidas do que as dos idosos que não cultivam uma vida social".
A investigadora norte-americana conclui que "o cérebro humano é a melhor máquina de aprendizagem que existe e todos nós somos capazes de fazer grandes mudanças nas nossas vidas. Mas há coisas nos cérebros masculino e feminino que não vão mudar tão cedo.", garante, para depois deixar um conselho a todas as suas colegas, afinal mulheres de todo o Mundo: "Façam as pazes com o cérebro masculino. Deixem os homens... ser homens".
quarta-feira, 10 de março de 2010
O fim dos mitos!!
Dimensão dos pés, dedos e nariz revelam tamanho dos órgãos sexuais
O desenvolvimento dos membros e dos genitais são influenciados pelos genes hox e este facto contribuiu para, incorrectamente, criar a ideia de que as respectivas dimensões seriam proporcionais. A realidade é diferente porque "os genes, incluindo os deste grupo, não funcionam de forma isolada, mas em cascata". Ou seja, "o seu papel muda conforme a especificidade dos tecidos, cujo próprio equilíbrio obriga os genes a 'trabalhar' com níveis de expressão diferentes", afirma o geneticista Carolino Monteiro.
Preservativo previne todas as doenças sexualmente transmissíveis
O preservativo não cobre a totalidade da zona genital - logo, não garante protecção contra doenças cujo agente esteja 'alojado' naquela área do corpo. Em termos anatómicos, se existir um agente no escroto pode provocar úlceras genitais. O mesmo pode ser dito, por exemplo, em relação aos vírus do herpes e do papiloma humano, primeira causa de cancro do colo do útero. O infecciologista Meliço Silvestre recomenda, por isso, que o preservativo seja usado correctamente e que se recorra a 'desinfectantes' sempre que necessário.
Sonâmbulos não podem ser acordados repentinamente
O único perigo de despertar alguém que está em pleno ataque de sonambulismo é ser-se agredido. O sonâmbulo pode ficar assustado e reagir de forma agitada ou violenta, mas não são de esperar riscos para a saúde. Ataques cardíacos e outros problemas súbitos são mera ficção. Ainda assim, o neurologista José Barros diz que "o comportamento dos familiares ou acompanhantes de sonâmbulos deve ser discreto. Não se ganha nada em despertar a pessoa e só se deve fazê-lo por razões de segurança ou de comodidade".
Humanos usam apenas 10% do cérebro
Esta ideia existe há pelo menos 100 anos, mas está errada. Também não é verdade que Albert Einstein tenha sido um génio por ter usado uma percentagem maior do cérebro. A tecnologia mostra que não há áreas inactivas, embora algumas sejam mais estimuladas. "Cada um de nós é capaz de desenvolver competências em diferentes domínios. Mas não podemos viver inúmeras vidas em simultâneo. Ao escolhermos caminhos de vida, abdicamos do desenvolvimento de potenciais aptidões", salienta o especialista José Barros.
Pode iludir-se o teste de alcoolemia
Há muitas 'mezinhas' - rebuçados de mentol, sal, etc. Nenhuma resulta. O 'teste do balão' determina o nível de álcool que está no fundo dos pulmões, muito próximo da quantidade que circula no sangue, e nada que se possa fazer altera o resultado. Simplificando, "trata-se de um teste enzimático que mede o álcool expirado pelos pulmões e, tanto quanto se sabe, não há nenhuma substância que anule o teste", explica o ex-presidente da Associação Nacional dos Laboratórios Clínicos, Germano de Sousa.
Ler com pouca luz é prejudicial para os olhos
A luminosidade insuficiente dificulta a focagem e diminui o ritmo a que os olhos piscam, secando-os. A leitura torna-se desconfortável, só que o olho recupera sem sequelas logo que a luz seja a indicada, isto é, a mais confortável. "Não há nada do ponto de vista científico que diga que a falta de luz danifica os olhos. Pelo contrário, o excesso pode ser mais prejudicial", diz o presidente do Colégio de Oftalmologia, Florindo Esperancinha. A prova é que nunca o mundo foi tão bem iluminado e as dificuldades de visão persistem.
Rapar os pêlos torna-os mais fortes e escuros
A única diferença entre rapar e arrancar um pêlo está na extremidade. A lâmina faz com que o pêlo fique com uma ponta aguçada, provocando um toque mais áspero e a ilusão de que é mais escuro e espesso. "Concordo em absoluto. O crescimento do pêlo é uniforme e não se altera com o corte ou o depilar", garante o professor universitário de dermatologia Américo Figueiredo. Mas acrescenta: "O arrancamento continuado é traumático para o folículo piloso (raiz), que acaba por enfraquecer ou desaparecer".
Urina transparente é sinal de saúde
"Pelo contrário, uma urina muito clara pode indicar uma doença renal. A cor depende da quantidade de água que se bebe e da capacidade que os rins têm de filtrar", diz o patologista clínico Germano de Sousa. É certo que quando a quantidade de água no organismo diminui a urina fica mais escura, mas não significa que se está menos saudável. "Não se tira, minimamente, conclusão nenhuma a partir da cor da urina", acrescenta. Por tudo isto, os especialistas são peremptórios: deve-se beber quando se tem sede.
Vitamina C previne gripes e constipações
Está na maioria dos medicamentos contra gripes e constipações, mas o seu efeito é igual ao da água com açúcar. Isto é, não serve para nada. Os estudos científicos revelam que, na população geral, tomar vitamina C com regularidade somente encurta a gripe ou a constipação em algumas horas e não faz qualquer efeito quando é tomada por quem já está doente. O especialista Filipe Froes confirma. "A vitamina C não tem efeito protector. O que, de facto, ajuda é ter uma alimentação completa, sobretudo em termos vitamínicos".
Manteiga é um remédio caseiro para queimaduras
A manteiga, que tem uma grande concentração de gordura e portanto hidrata, é erradamente usada na pele queimada. Como é muito gordurosa, mantém o calor, ou seja, piora a queimadura, tornando-a mais dolorosa. Segundo o director do Serviço de Dermatologia dos Hospitais da Universidade de Coimbra, Américo Figueiredo, "as queimaduras ligeiras devem ser tratadas com água fria - que alivia a dor - e com um creme hidratante. Se existir bolha, pica-se lateralmente para esvaziar e mantém-se a pele".
Vacina da gripe provoca gripe
A vacina usa o vírus morto, que não ressuscita no organismo para provocar a infecção. Segundo Filipe Froes, pneumologista do Hospital Pulido Valente (Lisboa), o desconforto que muitas pessoas sentem - que pode incluir dores no corpo e até febre - após a vacinação "deve-se à resposta imunológica do próprio organismo ou a uma infecção provocada por outros vírus, incluindo aqueles contra os quais se foi previamente vacinado. Isto acontece porque a protecção proporcionada pela vacina só surge ao fim de três semanas".
Antitranspirante aumenta risco de cancro da mama
A ideia faz sentido: os antitranspirantes impedem a libertação de toxinas (presentes na transpiração), deixando-as presas nos gânglios linfáticos, provocando alterações no ADN das células capazes de induzir um cancro. Não há, contudo, nenhuma prova científica desta reacção no organismo. "Este tipo de informação só serve para alarmar as pessoas. Fala-se nisso, mas não há evidência científica de que seja verdade", salienta Luís Costa, oncologista clínico e investigador da Faculdade de Medicina de Lisboa.
Frio e humidade provocam constipações
Os estudos revelam que o frio não aumenta o risco de constipação. O perigo está, sim, no facto de as baixas temperaturas motivarem uma maior permanência em espaços fechados. É essa concentração de pessoas que aumenta o risco de contágio de constipações, gripes e outras doenças infecciosas. O pneumologista Filipe Froes acrescenta um 'mas'. "O frio e as variações de temperatura podem afectar o movimento das células do aparelho respiratório que limpam as secreções dos brônquios", fragilizando-os.
Relações sexuaisdurante a menstruação evitam gravidez
É verdade para a maioria das mulheres, mas há excepções. Quais? A explicação é do director da Maternidade Alfredo da Costa, Jorge Branco: "Pode haver uma gravidez se o coito ocorre nos últimos dias da menstruação, porque o espermatozóide pode sobreviver até à ovulação". Segundo os especialistas, o espermatozóide sobrevive até uma semana no interior do útero. Os espermatozóides X são os mais resistentes e uma gravidez nestas circunstâncias tenderá a resultar na concepção de uma rapariga.
Bebés precisam de beber água quando está calor
A água só é necessária quando são introduzidos alimentos sólidos na dieta. "Nos primeiros tempos de vida, é natural que a alimentação seja feita apenas com leite materno e não é necessário suplementar com água, mesmo em dias quentes de Verão", garante o presidente da Sociedade Portuguesa de Pediatria, Luís Januário. O médico acrescenta que este assunto até já suscitou uma piada por parte de um especialista norte-americano: "Se os bebés precisassem de água, Deus teria feito as mulheres com três mamas".
Cabelo, barba e unhas continuam a crescer após a morte
É uma ilusão de óptica provocada pela desidratação após a morte. A pele seca e a retracção nos tecidos do crânio e dos dedos das mãos e dos pés faz parecer que o cabelo, a barba e as unhas estão maiores. O presidente do Instituto Nacional de Medicina de Legal, Duarte Nuno Vieira, explica que este fenómeno "pode ser visível nos dois a três dias entre o óbito e o funeral". Também pode surgir o 'suspiro do morto': "Os gases de putrefacção libertam-se pelos orifícios, incluindo a boca, parecendo suspiros", acrescenta.
Maior percentagem de temperatura corporal perde-se pela cabeça
Se fosse verdade, poderíamos suportar o frio completamente nus, desde que tivéssemos a cabeça coberta. "No adulto, a cabeça corresponde apenas a 9% da massa corporal e, aliás, tem uma estrutura óssea que ajuda a preservar a temperatura", salienta o especialista Duarte Nuno Vieira. Em conclusão, o calor do nosso corpo dissipa-se por qualquer parte que esteja desprotegida ou a descoberto. Assim sendo, quanto maior for a área do corpo coberta menor será a perda de temperatura, isto é, a sensação de frio.
Comer muito à noite engorda
O alerta nasceu dos conceitos de que à noite não se tem tempo para digerir os alimentos antes de dormir e da diminuição do metabolismo na fase final do dia. Mas "nunca se provou que é verdade", afirma a endocrinologista e especialista em nutrição Isabel do Carmo. O que conta é quanto, e não quando, se come. Isto é, para emagrecer é preciso ingerir menos calorias do que o organismo necessita e só é obrigatório não ultrapassar esse limite, seja ele atingido ao longo de todo o dia ou apenas numa única refeição.
Medicamentos inovadores são melhores
Parece um facto, mas não é. Há muitos medicamentos antigos que são mais eficazes do que as versões modernas e alguns remédios vendidos como inovadores mais não são do que uma alteração mínima dos antecessores. "É verdade. Não é forçoso que os novos medicamentos sejam melhores. Os medicamentos são aprovados por terem qualidade, eficácia e segurança", reconhece Cristina Sampaio, professora universitária de farmacologia e membro do Comité de Medicamentos para Uso Humano da agência europeia.
Repouso absoluto impede parto prematuro
Os poucos estudos que existem mostram que ficar na cama em repouso total não diminui o risco de parto prematuro. Aliás, vários especialistas até lembram que longos períodos de repouso fazem perder músculo, necessário para a postura da grávida, sobretudo quando está mais pesada. O coordenador do Programa Nacional de Saúde Reprodutiva, Jorge Branco, não concorda totalmente. "O repouso absoluto pode, de facto, não ser necessário, mas o descanso é certamente. Sabemos que o esforço aumenta o risco".
domingo, 7 de março de 2010
Sexo: Afinal o que é que elas querem?
Fazem-no por pena. Por vingança. Por obrigação. Por amor? Também. Ao todo são 237 as razões que levam as mulheres a ter sexo mas, ao contrário dos filmes cor-de-rosa, a grande maioria tem pouco a ver com amor.
Durante cerca de cinco anos de pesquisa sobre a sexualidade feminina e mais de mil entrevistas a mulheres de diferentes idades e orientações sexuais, Cindy Meston e David Buss tentaram chegar à resposta da eterna pergunta imortalizada por Sigmond Freud: "Afinal, o que é que as mulheres querem?". Entre relatos muito pouco românticos e números perurbantes sobre as motivações que levam as mulheres a partilhar o corpo com alguém, as conclusões dos investigadores da Universidade do Texas foram publicadas no livro "Porque é que as Mulheres têm Sexo? A Psicologia do Sexo Contada por Elas".
Ao todo, são mais de 300 páginas com histórias íntimas contadas na primeira pessoa. Embora fascinantes na sua diversidade, revelam também um lado cru e sincero das mulheres onde a sexualidade é relatada sem pudores. Por exemplo, há quem confesse: "Seduzi um homem e trai o meu namorado só para provar a mim mesma que, se ele me deixasse, eu teria facilidade em encontrar outro parceiro". Surpreendido? Não esteja: 31% das mulheres entrevistadas afirmam já ter tido sexo ocasional só para provocar ciúmes, 53% admitem ter seduzido o namorado de uma amiga por uma questão de competição e 84% optaram por ter relações sexuais sem vontade, apenas para evitar discussões com o parceiro.
"O estereótipo tende a ser que as mulheres fazem sexo por amor e os homens fazem-no por prazer", explicam Meston e Buss. "Na realidade, as motivações sexuais das mulheres são muito mais complexas". Esqueçam os eternos amores bem ao género do filme "Casablanca" e compreendam a mensagem do livro: "As mulheres nem sempre são emocionais. Muito menos puras, ou transparentes, no que diz respeito ao sexo".
Divididas entre as motivações emocionais, físicas ou materiais, o livro revela razões para todos gostos: as altruístas ("dormi com ele porque sentia pena"), as terapêuticas ("tirava-me as dores de cabeça"), as espirituais ("queria tentar chegar mais próximo de deus"), as ambiciosas ("precisava de um aumento no ordenado"). Há mulheres que têm relações para se sentirem mais poderosas ou sensuais. Outras pretendem apenas impressionar as amigas com a quantidade de parceiros que conseguem ter. A maioria fala de romance... embora sejam comuns os relatos de compensação emocional através do sexo.
Cada mulher é uma mulher
Pelo consultório de Vânia Beliz, psicóloga especializada na sexualidade feminina, já passaram inúmeras mulheres de todas as idades e percursos emocionais. Contudo, não tem dúvidas: nas mulheres portuguesas, as motivações emocionais são as mais comuns para partilharem a cama com alguém. "Por cá as mulheres procuram cada vez mais ter uma vida sexual satisfatória. Mas mais do que o prazer, procuram a intimidade no sexo, tentando aumentar assim a proximidade com o companheiro".
Vânia Beliz lembra ainda que "as mulheres foram reprimidas durante anos a poder desejar o sexo apenas pelo prazer", o que faz com que "não seja de estranhar que muitas não o dissociem do amor, ao contrário dos homens". Mas como "cada mulher é uma mulher", a sexóloga deixa claro: "As nossas motivações também dependem sempre do tipo de relacionamento que estabelecemos".
Talvez por isso não seja de estranhar que ao perguntarmos a sete mulheres portuguesas, dos 17 aos 63 anos, como definiriam o que procuram no sexo numa única palavra, as respostas tenham sido díspares: arrebatamento, partilha, gozo, avatar, amor, entrega, comunhão.
Sexo à portuguesa
Antónia Pires tem 54 anos e está "casada com o homem da sua vida" há mais de 30. "Amor" foi a palavra eleita para descrever o que procura no sexo. "Sempre foi e continua a ser. A qualidade mantém-se, a quantidade é que não. Nesta idade existe ainda atracção, falta muitas vezes é a disposição", explica a mãe de dois filhos adultos, que garante: "Nunca fui capaz de fazer nada sem gostar da pessoa. Acho que nesse aspecto as miúdas mais novas são diferentes, ligam poucos aos sentimentos".
Rita Martins, 17 anos, riposta: "Ainda não aconteceu, mas quando o fizer quero que seja feito com sentimento e não apenas porque já todas as minhas amigas fizeram". Ainda virgem, assume numa única palavra a sua visão do sexo: "entrega". Bem diferente, é a visão de Helena Benard, 27 anos, que escolhe o termo "avatar" para definir o que quer nesta fase da sua vida íntima. Sem papas na língua, assume que procura "sexo de qualidade, prazer físico e emocional, criatividade, algo transcendente... que me faça sair de mim mesma".
Vânia Beliz não se surpreende com a diferença das respostas. "Com o avançar da idade e das etapas da vida procuramos no sexo coisas diferentes. Independentemente disso, é muito comum as mulheres usarem o sexo como compensação emocional".
É o caso de Carla Gouveia que, aos 37 anos, quer acima de tudo "partilha". "Antes procurava a minha validação sexual, perder certas inibições até chegar ao patamar do sexo descomplexado. Com a idade a avançar, experiências com outros homens e alguns problemas conjugais pelo meio, neste actual companheiro procuro compensação afectiva no sexo, um momento grande de partilha a todos os níveis".
Já Joana Soares, 26 anos, quer "arrebatamento". Embora com uma postura calma e romântica no seu dia-a-dia, assume que no que toca ao sexo quer "conseguir perder o controlo", sentir-se "possuída, extravasar sem pensar". Com uma perspectiva de recém-mamã, Diana Cunha, 33 anos, confessa que sente mudanças grandes na sua vida sexual e que nesta fase o sexo "é importante, mas deixou de ser essencial". Por isso mesmo, escolhe a palavra "comunhão".
Mas engane-se quem acha que a idade torna as pessoas mais fechadas em relação ao sexo. Graça Guedes, 63 anos, define-o com apenas quatro letras: "gozo". Há cinco anos reencontrou um namorado dos tempos de adolescência e a antiga química fez-se logo sentir. Na mesma altura, descobriu que tinha cancro do endométrio. A operação e a radioterapia a que foi submetida fizeram-na querer pôr de lado a sexualidade... mas a chama da paixão, em conjunto com a compreensão e apoio do companheiro, falou mais alto. Casou-se pela segunda vez e, com a ajuda do parceiro, redescobriu como voltar a ter prazer. "Divertimo-nos muito juntos. Ele tem toda a paciência do mundo", conta Graça, que encontra nesta fase da vida a mais-valia do tempo. "Estamos reformados, portanto temos todo o tempo do mundo um para o outro. Não há crianças, nem horários, muito menos para o sexo". Praticamente recuperada do cancro, não tem dúvidas: "O amor foi parte da cura".
Mulher, a "criatura complexa"
As motivações femininas no amor, relacionamentos e sexo têm sido alvo de inúmeras teorias ao longo da história, sem que nenhum tenha conseguido chegar a uma conclusão suprema. Cindy Meston e David Buss são os primeiros a dizer que "elas são criaturas complicadas e complexas", sendo impossível ter uma noção da realidade mundial com apenas cerca de mil entrevistadas. Há dez anos mal se falava no tema, agora já se disserta sobre as nuances da sexualidade feminina, assumindo que não há um padrão definido, realçam os investigadores.
Embora o estudo conclua que a atracção física e o desejo continuam a ser as duas razões mais comuns que levam as mulheres a tirarem a roupa, o livro "Porque é que as Mulheres têm Sexo? A Psicologia do Sexo Contada por elas", deixa claro: "Sim, as mulheres têm sexo para conseguirem o que querem e nem sempre são tímidas ou sentimentais. Embora o possam fazer em busca de uma ligação emocional, matar o desejo é, cada vez mais, um motivo tão válido e comum como qualquer outro".
segunda-feira, 1 de março de 2010
Os gregos que se arruínem (Expresso)
Agora a previsão está a tornar-se realidade, observa Wim Kösters, da Universidade do Ruhr, em Bochum, um dos signatários originais. A Grécia, que aderiu ao euro dois anos após a sua introdução, escondeu o estado manhoso em que se encontravam as suas finanças e agora está a ser atacada pelos especuladores. Um caso de incumprimento pode alargar o pânico a outras economias atormentadas pelo défice, incluindo a portuguesa e a espanhola, com consequências assustadoras para o já instável sistema bancário europeu. Mas no caso de os parceiros da Grécia lhe pagarem a fiança, ignorando o tratado de fundação do euro, a moeda irá sofrer. De uma maneira ou de outra, o euro está em apuros.
Este dilema sente-se com especial ansiedade na Alemanha. Foi violenta a separação do marco alemão, símbolo da recuperação pós-guerra e do êxito económico. Na véspera da união monetária, 55% dos alemães opunham-se à sua adesão, posicionando a sua nação no lugar dos fundadores mais relutantes da zona euro. Quando se fala de um "salvamento", todos os olhos se fixam na Alemanha, a maior economia europeia e o mutuário mais digno de crédito. Os alemães receiam que um salvamento da Grécia venha, de facto, a alargar o seu estado-providência ao Mediterrâneo.
As angústias da Grécia colocam Angela Merkel, a chancelerina, numa posição incómoda. Os contribuintes alemães não estão com disposição para salvar o que consideram ser gregos desregrados, uma vez que já penhoraram ¤500 mil milhões ($682 mil milhões) para reforçar os seus próprios bancos e muitos mais para empresas. O Partido Democrático Liberal (FDP), o parceiro júnior do seu governo de coligação, é contra um salvamento, à semelhança de muitos políticos do seu próprio partido, e o caminho para sair da crise não é claro. As obrigações gregas continuam sob pressão (ver tabela). Sucedem-se argumentos enfurecidos sobre qual a reacção em cadeia que seria mais prejudicial: fianças em série ou incumprimentos em série. Um parecer jurídico dos peritos do Bundestag argumenta que a ajuda à Grécia pode ser permitida ao abrigo dos tratados europeus se a crise puder ser atribuída a forças exteriores, como por exemplo especuladores ou a recessão global. Alguns economistas (principalmente não-alemães) consideram que a Alemanha pode contribuir para uma solução a um prazo mais longo através do estímulo ao consumo interno, o que ajudaria os infames mediterrânicos a resolver os seus problemas. Fala-se de "governo económico" mais coordenado dentro da zona euro.
O senhor Kösters é mais céptico. "Ninguém sabe o que é governo económico", refere. O mercado único e a moeda única europeia colocaram os países em concorrência uns com os outros tendo como base as suas economias e as suas instituições. A Alemanha enfrentou o desafio. Agora, comenta o senhor Kösters, é a vez da Grécia e dos outros fazerem o mesmo.
domingo, 28 de fevereiro de 2010
O Purgatório
Esta semana, falo então da UE, Zona Euro e o seu futuro.
O Euro passa nesta altura pela sua pior crise desde a sua criação, e desde que substituiu as antigas moedas metálicas dos países aderentes.
A crise de 2008 veio pôr a nu todas as fragilidades deste sistema, e a sua susceptibilidade face a ataques especulativos. A constante alteração dos dados estatisticos feito ao longo dos anos pelos decisores politicos gregos, resultaram num aumento dos CDS(credit default swaps ou taxas de juro dos titulos de divida publica), encontrando-se neste momento perto dos 7%, enquanto que o valor padrão(Alemanha) situa-se nos 3%. A divida publica grega, atinge neste momento os 103% do PIB.
Convem saber então que existem 3 medidas de politicas , a cambial, monetária e orçamental, contudo, quem aderiu ao Euro prescindiu das 2 primeiras em deterimento do BCE, e viu a sua politica orçamental severamente vigiada( PEC, défice do estado anual de 3%).
Em crises como a de 2008, o normal a fazer, seria usar-se 2 das 3 politcas para anuviar um pouco o clima economico, contudo apenas a orçamental estava disponivel e restringida a 3%(actualmente, e para a maior parte dos países Euro, esta meta dos 3% é apenas para ser cumprida em 2012, face ao esforço dos estados numa resposta de estimulo à economia).
Mas afinal qual foi então o Problema do Euro?
o grande problema que muitos economistas apoiam, foi o facto de quando se criou o euro, não se ter simultaneamente avançado para uma união politica europeia, com um orçamento europeu, de modo a que qualquer resposta face a choques assimétricos deste tipo, teriam como resposta transferencias do orçamento para o país em causa. No fundo seria tal e qual um grande país(a Europa), onde cada país seria um distrito desse grande país.
Deste modo teria-se acesso a todas as politicas disponiveis para suportar choques deste género.
Será então o fim do Euro?
A grande duvida fica nesta pergunta, muitos afirmam que sim, outros tantos afirmam que não, só o tempo o dirá.
Mas o mais provável será um destes 3 casos.
Caso1:
A grécia é forçada a sair do euro, seguindo-se os países mediterranicos, ficando apenas as economias mais fortes, a frança, alemanha e os paises do benelux. Nesta fase, o euro mantém-se, mas a questão da integração europeia fica seriamente em risco.
Caso 2:
o mais caótico de todos, todos os países abandonam o euro,sendo que apenas as economias mais fortes se aguentam no pós-euro, todas as outras economias, incluindo Portugal, passarão por uma década muito má, e a constantes desvalorizações de moeda, isto, na prespectiva optimista de que conseguem resolver de forma fácil a transição do euro para o escudo, e seus custos inerentes
Caso 3:
o mais dificl de provar que se verificará, contudo a história é propicia em casos destes género. O povo europeu e seus decisores politcos, conseguem avançar para uma fase de união politica, como estágio final para uma zona monetária optima.
É em tempos de fortes crises que surge a mudança, esperemos que seja uma boa mudança
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010
Governo congela salários nas empresas públicas
"Esta orientação deverá prevalecer sobre decisões que possam ter sido já adoptadas pelas empresas, mas ainda não executadas, que disponham em sentido diferente", diz o Ministério das Finanças num comunicado.
A recomendação foi feita através de carta enviada pela Direcção-Geral do Tesouro e Finanças às empresas do SEE, como a Carris, CP ou CTT, com o objectivo de ser aplicada no âmbito das negociações salariais em curso ou a ser iniciadas.
"Os Conselho de Administração das empresas públicas deverão respeitar as orientações já adoptadas para as actualizações salariais na Administração Central", diz o comunicado do Ministério.
O Ministério das Finanças justifica esta posição com o facto de o Governo ter consciência "do efeito indutor que a política salarial seguida na Administração Pública assume para a generalidade dos agentes económicos.
Concordância com Função Pública
Assim, o Governo lembra que "adoptou e anunciou já publicamente a política de não actualização dos salários nominais para o corrente ano, tendo em conta não apenas os ganhos reais de poder de compra obtidos pela generalidade dos trabalhadores no ano de 2009, mas também a prevista manutenção, em 2010, do Índice de Preços no Consumidor em níveis historicamente baixos".
"Considerando a importância dos objectivos a atingir, tais orientações devem ser adoptadas igualmente ao nível do Sector Empresarial do Estado, sector que tem assumido, ao longo dos anos, uma importância crescente em termos de emprego e de disponibilização de serviços públicos essenciais à população portuguesa", defende o Ministério na mesma nota de imprensa.
No entanto, o Ministério admite a possibilidade de, "em casos excepcionais e devidamente fundamentados", autorizar procedimento diferente.
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
Novos perigos para a economia mundial
Situação internacional Quando começou a crise, os governos contribuíram para salvar a economia global. Agora são eles o problema. (Notícia do Jornal Expresso)
o ano passado eram os bancos; este ano são os países. A crise económica, que parecia ter abrandado no final de 2009, parece estar de novo em plena actividade, à medida que surge a ameaça de não cumprimento das obrigações da dívida soberana.
Os líderes europeus tentam a todo o custo evitar o maior desastre financeiro da história de 11 anos do euro. Esta semana todas as atenções estão concentradas na Grécia que, a haver incumprimento, será o primeiro caso entre os membro da União Europeia (UE). À hora de ida para o prelo de "The Economist", os líderes da UE encontravam-se reunidos para decidir o que fazer. Falava-se de um plano de emergência liderado pelos alemães que, no caso de ir para a frente, poderá também abranger outros candidatos europeus. Os mercados obrigacionistas estão preocupados com a capacidade de Espanha, Irlanda e Portugal reembolsarem as suas dívidas, obrigando estes países a aumentar os impostos e a cortar na despesa, mesmo encontrando-se atolados na recessão.
Os problemas na Europa têm dado aos investidores razões de sobra para preocupações, mas não são, no entanto, a única causa de ansiedade. As alterações de políticas a nível mundial também assustaram os investidores. O Governo chinês começou a refrear no mês passado a concessão de financiamentos, preocupado com a inflação crescente e as 'bolhas' de activos. O banco central da Índia aumentou os requisitos de reservas e o incentivo fiscal no Brasil está a ser retirado de forma faseada. Os grandes bancos centrais a nível mundial liquidam gradualmente as facilidades de liquidez de emergência que introduziram no pico da crise. O 'alívio quantitativo', o processo de imprimir moeda para comprar títulos com maturidades mais longas, está a chegar ao fim - ou, pelo menos, está a ser suspenso temporariamente.
Todas estas circunstâncias atingiram os preços dos activos. Os mercados accionistas caíram acentuadamente, os preços das matérias-primas diminuíram drasticamente e a volatilidade subiu. O índice MSCI World dos preços globais das acções caiu em quase 10%, a partir do seu ponto alto do dia 14 de Janeiro. O optimismo relativamente a uma recuperação em forma de V está a ser substituído por um pessimismo quanto a uma recessão com uma recaída (double-dip), crescendo o receio de os decisores políticos serem obrigados ou escolherem por engano eliminar os apoios monetários e fiscais precocemente.
A Acrópole já?Três factores determinarão se estes receios são justificados. O primeiro é a força da recuperação - se é auto-sustentável ou se ainda se apoia em incentivos do Governo. O segundo é a proporção dos problemas da dívida soberana - se a Grécia constitui um problema isolado em termos da má situação financeira ou se os investidores perdem confiança noutros governos seriamente endividados. O terceiro é a destreza com que os bancos centrais e os ministros das Finanças a nível mundial concebem e coordenam o cancelamento dos incentivos políticos.
O quadro sobre o crescimento global está cada vez mais dividido. As grandes economias emergentes estão em melhor estado, com um forte crescimento da procura interna e pouca capacidade produtiva de sobra. Países como a Índia e o Brasil já puseram a depressão para trás das costas. Considerando a escala da sua concessão de financiamentos estatais, a economia da China está vulnerável a um aperto repentino por parte dos burocratas. Mas apesar de todas as preocupações dos mercados, há poucos indícios de que aperte demasiado e muito rapidamente. É possível um abrandamento, é mesmo desejável, mas um deslize grave parece ser pouco provável.
O mesmo não se aplica ao mundo rico, onde há ainda poucos indícios de um forte crescimento da procura privada. Os últimos valores do PIB norte-americano, ainda que optimistas, são enganadores. O produto aumentou a uma taxa anualizada de 5,7% no último trimestre de 2009, principalmente porque as empresas estavam a recompor as suas existências. Com a economia ainda a dispensar empregos (embora a uma taxa inferior), os preços das acções a caírem, o mercado imobiliário ainda vacilante e a dívida das famílias a encolher, é provável que as despesas correntes permaneçam paradas. Nem será provável que as firmas, com tanta capacidade desaproveitada, embarquem em investimentos. Na Europa e no Japão a situação é bem mais negra. Embora as exportações se encontrem em vias de recuperação, o Japão voltou a cair na deflação. Na zona euro, a recuperação já vacilava muito antes da crise grega rebentar e a procura interna estagnou, mesmo em países como a Alemanha, onde as famílias não têm dívidas para pagar.
Em busca de uma saídaEsta disparidade entre o mundo rico e o mundo emergente deve reflectir-se nas suas políticas macroeconómicas. As economias emergentes podem, e devem, largar os seus incentivos e subir as taxas de juro antes que a inflação arranque. Mas nas grandes, fracas e ricas economias é ainda cedo para apertar. Os perigos de repetição dos erros cometidos nos Estados Unidos em 1937 e no Japão em 1997 - quando aumentos prematuros dos impostos e uma política monetária mais apertada empurraram as frágeis economias novamente para a recessão - são maiores do que os riscos de inacção. Com o produto tão abaixo do potencial e o crescimento do crédito estagnado, há poucas hipóteses para uma inflação sustentada. Na maior parte dos países, nem o medo dos investidores em dívida pública deve levar a uma repentina austeridade orçamental. A lição a retirar das angústias da Grécia, Espanha e Portugal não é de que todos os défices são actualmente perigosos, mas que os governos devem fazer mais para controlar os seus défices e impulsionar o crescimento económico a médio prazo, de forma a criar espaço para algum alívio hoje.
A maior parte das economias grandes e ricas absorveram metade desta mensagem. Na sua reunião do dia 6 de Fevereiro, os ministros das Finanças do G-7 concluíram, acertadamente, que é demasiado cedo para começar a retirar incentivos. Mas nenhum país rico apresentou um plano orçamental credível a médio prazo. No topo da lista devem estar as reformas, como, por exemplo, o aumento da idade da reforma ou os benefícios futuros para carência de recursos, que melhoram as perspectivas fiscais dos países sem encrespar a procura actual. A França inclina-se na direcção certa, com a sua proposta de revisão do sistema de pensões, mas o novo Orçamento dos Estados Unidos, que apontava simplesmente para o médio prazo, foi uma falha chocante nesse aspecto. Igualmente importante é uma agenda mais explícita para incentivar o crescimento a médio prazo. Para minimizar o risco de caírem numa situação confusa ao estilo japonês de uma elevada dívida pública e um crescimento lento, as economias do mundo rico devem estimular a produtividade, encorajar o investimento e fomentar a concorrência, o que aponta para um novo centro fulcral direccionado para o comércio livre, o corte da despesa em vez do aumento dos impostos e o acordo quanto a uma nova regulação financeira. Parte da tensão actual provém do 'risco das políticas'. Ninguém - nem as empresas, nem os bancos, nem as pessoas - tem bem a certeza para onde se dirige a política governamental. Quanto mais os governos puderem fazer para reduzir essa incerteza, mais forte será provavelmente a recuperação.
o ano passado eram os bancos; este ano são os países. A crise económica, que parecia ter abrandado no final de 2009, parece estar de novo em plena actividade, à medida que surge a ameaça de não cumprimento das obrigações da dívida soberana.
Os líderes europeus tentam a todo o custo evitar o maior desastre financeiro da história de 11 anos do euro. Esta semana todas as atenções estão concentradas na Grécia que, a haver incumprimento, será o primeiro caso entre os membro da União Europeia (UE). À hora de ida para o prelo de "The Economist", os líderes da UE encontravam-se reunidos para decidir o que fazer. Falava-se de um plano de emergência liderado pelos alemães que, no caso de ir para a frente, poderá também abranger outros candidatos europeus. Os mercados obrigacionistas estão preocupados com a capacidade de Espanha, Irlanda e Portugal reembolsarem as suas dívidas, obrigando estes países a aumentar os impostos e a cortar na despesa, mesmo encontrando-se atolados na recessão.
Os problemas na Europa têm dado aos investidores razões de sobra para preocupações, mas não são, no entanto, a única causa de ansiedade. As alterações de políticas a nível mundial também assustaram os investidores. O Governo chinês começou a refrear no mês passado a concessão de financiamentos, preocupado com a inflação crescente e as 'bolhas' de activos. O banco central da Índia aumentou os requisitos de reservas e o incentivo fiscal no Brasil está a ser retirado de forma faseada. Os grandes bancos centrais a nível mundial liquidam gradualmente as facilidades de liquidez de emergência que introduziram no pico da crise. O 'alívio quantitativo', o processo de imprimir moeda para comprar títulos com maturidades mais longas, está a chegar ao fim - ou, pelo menos, está a ser suspenso temporariamente.
Todas estas circunstâncias atingiram os preços dos activos. Os mercados accionistas caíram acentuadamente, os preços das matérias-primas diminuíram drasticamente e a volatilidade subiu. O índice MSCI World dos preços globais das acções caiu em quase 10%, a partir do seu ponto alto do dia 14 de Janeiro. O optimismo relativamente a uma recuperação em forma de V está a ser substituído por um pessimismo quanto a uma recessão com uma recaída (double-dip), crescendo o receio de os decisores políticos serem obrigados ou escolherem por engano eliminar os apoios monetários e fiscais precocemente.
A Acrópole já?Três factores determinarão se estes receios são justificados. O primeiro é a força da recuperação - se é auto-sustentável ou se ainda se apoia em incentivos do Governo. O segundo é a proporção dos problemas da dívida soberana - se a Grécia constitui um problema isolado em termos da má situação financeira ou se os investidores perdem confiança noutros governos seriamente endividados. O terceiro é a destreza com que os bancos centrais e os ministros das Finanças a nível mundial concebem e coordenam o cancelamento dos incentivos políticos.
O quadro sobre o crescimento global está cada vez mais dividido. As grandes economias emergentes estão em melhor estado, com um forte crescimento da procura interna e pouca capacidade produtiva de sobra. Países como a Índia e o Brasil já puseram a depressão para trás das costas. Considerando a escala da sua concessão de financiamentos estatais, a economia da China está vulnerável a um aperto repentino por parte dos burocratas. Mas apesar de todas as preocupações dos mercados, há poucos indícios de que aperte demasiado e muito rapidamente. É possível um abrandamento, é mesmo desejável, mas um deslize grave parece ser pouco provável.
O mesmo não se aplica ao mundo rico, onde há ainda poucos indícios de um forte crescimento da procura privada. Os últimos valores do PIB norte-americano, ainda que optimistas, são enganadores. O produto aumentou a uma taxa anualizada de 5,7% no último trimestre de 2009, principalmente porque as empresas estavam a recompor as suas existências. Com a economia ainda a dispensar empregos (embora a uma taxa inferior), os preços das acções a caírem, o mercado imobiliário ainda vacilante e a dívida das famílias a encolher, é provável que as despesas correntes permaneçam paradas. Nem será provável que as firmas, com tanta capacidade desaproveitada, embarquem em investimentos. Na Europa e no Japão a situação é bem mais negra. Embora as exportações se encontrem em vias de recuperação, o Japão voltou a cair na deflação. Na zona euro, a recuperação já vacilava muito antes da crise grega rebentar e a procura interna estagnou, mesmo em países como a Alemanha, onde as famílias não têm dívidas para pagar.
Em busca de uma saídaEsta disparidade entre o mundo rico e o mundo emergente deve reflectir-se nas suas políticas macroeconómicas. As economias emergentes podem, e devem, largar os seus incentivos e subir as taxas de juro antes que a inflação arranque. Mas nas grandes, fracas e ricas economias é ainda cedo para apertar. Os perigos de repetição dos erros cometidos nos Estados Unidos em 1937 e no Japão em 1997 - quando aumentos prematuros dos impostos e uma política monetária mais apertada empurraram as frágeis economias novamente para a recessão - são maiores do que os riscos de inacção. Com o produto tão abaixo do potencial e o crescimento do crédito estagnado, há poucas hipóteses para uma inflação sustentada. Na maior parte dos países, nem o medo dos investidores em dívida pública deve levar a uma repentina austeridade orçamental. A lição a retirar das angústias da Grécia, Espanha e Portugal não é de que todos os défices são actualmente perigosos, mas que os governos devem fazer mais para controlar os seus défices e impulsionar o crescimento económico a médio prazo, de forma a criar espaço para algum alívio hoje.
A maior parte das economias grandes e ricas absorveram metade desta mensagem. Na sua reunião do dia 6 de Fevereiro, os ministros das Finanças do G-7 concluíram, acertadamente, que é demasiado cedo para começar a retirar incentivos. Mas nenhum país rico apresentou um plano orçamental credível a médio prazo. No topo da lista devem estar as reformas, como, por exemplo, o aumento da idade da reforma ou os benefícios futuros para carência de recursos, que melhoram as perspectivas fiscais dos países sem encrespar a procura actual. A França inclina-se na direcção certa, com a sua proposta de revisão do sistema de pensões, mas o novo Orçamento dos Estados Unidos, que apontava simplesmente para o médio prazo, foi uma falha chocante nesse aspecto. Igualmente importante é uma agenda mais explícita para incentivar o crescimento a médio prazo. Para minimizar o risco de caírem numa situação confusa ao estilo japonês de uma elevada dívida pública e um crescimento lento, as economias do mundo rico devem estimular a produtividade, encorajar o investimento e fomentar a concorrência, o que aponta para um novo centro fulcral direccionado para o comércio livre, o corte da despesa em vez do aumento dos impostos e o acordo quanto a uma nova regulação financeira. Parte da tensão actual provém do 'risco das políticas'. Ninguém - nem as empresas, nem os bancos, nem as pessoas - tem bem a certeza para onde se dirige a política governamental. Quanto mais os governos puderem fazer para reduzir essa incerteza, mais forte será provavelmente a recuperação.