domingo, 28 de fevereiro de 2010
O Purgatório
Esta semana, falo então da UE, Zona Euro e o seu futuro.
O Euro passa nesta altura pela sua pior crise desde a sua criação, e desde que substituiu as antigas moedas metálicas dos países aderentes.
A crise de 2008 veio pôr a nu todas as fragilidades deste sistema, e a sua susceptibilidade face a ataques especulativos. A constante alteração dos dados estatisticos feito ao longo dos anos pelos decisores politicos gregos, resultaram num aumento dos CDS(credit default swaps ou taxas de juro dos titulos de divida publica), encontrando-se neste momento perto dos 7%, enquanto que o valor padrão(Alemanha) situa-se nos 3%. A divida publica grega, atinge neste momento os 103% do PIB.
Convem saber então que existem 3 medidas de politicas , a cambial, monetária e orçamental, contudo, quem aderiu ao Euro prescindiu das 2 primeiras em deterimento do BCE, e viu a sua politica orçamental severamente vigiada( PEC, défice do estado anual de 3%).
Em crises como a de 2008, o normal a fazer, seria usar-se 2 das 3 politcas para anuviar um pouco o clima economico, contudo apenas a orçamental estava disponivel e restringida a 3%(actualmente, e para a maior parte dos países Euro, esta meta dos 3% é apenas para ser cumprida em 2012, face ao esforço dos estados numa resposta de estimulo à economia).
Mas afinal qual foi então o Problema do Euro?
o grande problema que muitos economistas apoiam, foi o facto de quando se criou o euro, não se ter simultaneamente avançado para uma união politica europeia, com um orçamento europeu, de modo a que qualquer resposta face a choques assimétricos deste tipo, teriam como resposta transferencias do orçamento para o país em causa. No fundo seria tal e qual um grande país(a Europa), onde cada país seria um distrito desse grande país.
Deste modo teria-se acesso a todas as politicas disponiveis para suportar choques deste género.
Será então o fim do Euro?
A grande duvida fica nesta pergunta, muitos afirmam que sim, outros tantos afirmam que não, só o tempo o dirá.
Mas o mais provável será um destes 3 casos.
Caso1:
A grécia é forçada a sair do euro, seguindo-se os países mediterranicos, ficando apenas as economias mais fortes, a frança, alemanha e os paises do benelux. Nesta fase, o euro mantém-se, mas a questão da integração europeia fica seriamente em risco.
Caso 2:
o mais caótico de todos, todos os países abandonam o euro,sendo que apenas as economias mais fortes se aguentam no pós-euro, todas as outras economias, incluindo Portugal, passarão por uma década muito má, e a constantes desvalorizações de moeda, isto, na prespectiva optimista de que conseguem resolver de forma fácil a transição do euro para o escudo, e seus custos inerentes
Caso 3:
o mais dificl de provar que se verificará, contudo a história é propicia em casos destes género. O povo europeu e seus decisores politcos, conseguem avançar para uma fase de união politica, como estágio final para uma zona monetária optima.
É em tempos de fortes crises que surge a mudança, esperemos que seja uma boa mudança
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010
Governo congela salários nas empresas públicas
"Esta orientação deverá prevalecer sobre decisões que possam ter sido já adoptadas pelas empresas, mas ainda não executadas, que disponham em sentido diferente", diz o Ministério das Finanças num comunicado.
A recomendação foi feita através de carta enviada pela Direcção-Geral do Tesouro e Finanças às empresas do SEE, como a Carris, CP ou CTT, com o objectivo de ser aplicada no âmbito das negociações salariais em curso ou a ser iniciadas.
"Os Conselho de Administração das empresas públicas deverão respeitar as orientações já adoptadas para as actualizações salariais na Administração Central", diz o comunicado do Ministério.
O Ministério das Finanças justifica esta posição com o facto de o Governo ter consciência "do efeito indutor que a política salarial seguida na Administração Pública assume para a generalidade dos agentes económicos.
Concordância com Função Pública
Assim, o Governo lembra que "adoptou e anunciou já publicamente a política de não actualização dos salários nominais para o corrente ano, tendo em conta não apenas os ganhos reais de poder de compra obtidos pela generalidade dos trabalhadores no ano de 2009, mas também a prevista manutenção, em 2010, do Índice de Preços no Consumidor em níveis historicamente baixos".
"Considerando a importância dos objectivos a atingir, tais orientações devem ser adoptadas igualmente ao nível do Sector Empresarial do Estado, sector que tem assumido, ao longo dos anos, uma importância crescente em termos de emprego e de disponibilização de serviços públicos essenciais à população portuguesa", defende o Ministério na mesma nota de imprensa.
No entanto, o Ministério admite a possibilidade de, "em casos excepcionais e devidamente fundamentados", autorizar procedimento diferente.
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
Novos perigos para a economia mundial
Situação internacional Quando começou a crise, os governos contribuíram para salvar a economia global. Agora são eles o problema. (Notícia do Jornal Expresso)
o ano passado eram os bancos; este ano são os países. A crise económica, que parecia ter abrandado no final de 2009, parece estar de novo em plena actividade, à medida que surge a ameaça de não cumprimento das obrigações da dívida soberana.
Os líderes europeus tentam a todo o custo evitar o maior desastre financeiro da história de 11 anos do euro. Esta semana todas as atenções estão concentradas na Grécia que, a haver incumprimento, será o primeiro caso entre os membro da União Europeia (UE). À hora de ida para o prelo de "The Economist", os líderes da UE encontravam-se reunidos para decidir o que fazer. Falava-se de um plano de emergência liderado pelos alemães que, no caso de ir para a frente, poderá também abranger outros candidatos europeus. Os mercados obrigacionistas estão preocupados com a capacidade de Espanha, Irlanda e Portugal reembolsarem as suas dívidas, obrigando estes países a aumentar os impostos e a cortar na despesa, mesmo encontrando-se atolados na recessão.
Os problemas na Europa têm dado aos investidores razões de sobra para preocupações, mas não são, no entanto, a única causa de ansiedade. As alterações de políticas a nível mundial também assustaram os investidores. O Governo chinês começou a refrear no mês passado a concessão de financiamentos, preocupado com a inflação crescente e as 'bolhas' de activos. O banco central da Índia aumentou os requisitos de reservas e o incentivo fiscal no Brasil está a ser retirado de forma faseada. Os grandes bancos centrais a nível mundial liquidam gradualmente as facilidades de liquidez de emergência que introduziram no pico da crise. O 'alívio quantitativo', o processo de imprimir moeda para comprar títulos com maturidades mais longas, está a chegar ao fim - ou, pelo menos, está a ser suspenso temporariamente.
Todas estas circunstâncias atingiram os preços dos activos. Os mercados accionistas caíram acentuadamente, os preços das matérias-primas diminuíram drasticamente e a volatilidade subiu. O índice MSCI World dos preços globais das acções caiu em quase 10%, a partir do seu ponto alto do dia 14 de Janeiro. O optimismo relativamente a uma recuperação em forma de V está a ser substituído por um pessimismo quanto a uma recessão com uma recaída (double-dip), crescendo o receio de os decisores políticos serem obrigados ou escolherem por engano eliminar os apoios monetários e fiscais precocemente.
A Acrópole já?Três factores determinarão se estes receios são justificados. O primeiro é a força da recuperação - se é auto-sustentável ou se ainda se apoia em incentivos do Governo. O segundo é a proporção dos problemas da dívida soberana - se a Grécia constitui um problema isolado em termos da má situação financeira ou se os investidores perdem confiança noutros governos seriamente endividados. O terceiro é a destreza com que os bancos centrais e os ministros das Finanças a nível mundial concebem e coordenam o cancelamento dos incentivos políticos.
O quadro sobre o crescimento global está cada vez mais dividido. As grandes economias emergentes estão em melhor estado, com um forte crescimento da procura interna e pouca capacidade produtiva de sobra. Países como a Índia e o Brasil já puseram a depressão para trás das costas. Considerando a escala da sua concessão de financiamentos estatais, a economia da China está vulnerável a um aperto repentino por parte dos burocratas. Mas apesar de todas as preocupações dos mercados, há poucos indícios de que aperte demasiado e muito rapidamente. É possível um abrandamento, é mesmo desejável, mas um deslize grave parece ser pouco provável.
O mesmo não se aplica ao mundo rico, onde há ainda poucos indícios de um forte crescimento da procura privada. Os últimos valores do PIB norte-americano, ainda que optimistas, são enganadores. O produto aumentou a uma taxa anualizada de 5,7% no último trimestre de 2009, principalmente porque as empresas estavam a recompor as suas existências. Com a economia ainda a dispensar empregos (embora a uma taxa inferior), os preços das acções a caírem, o mercado imobiliário ainda vacilante e a dívida das famílias a encolher, é provável que as despesas correntes permaneçam paradas. Nem será provável que as firmas, com tanta capacidade desaproveitada, embarquem em investimentos. Na Europa e no Japão a situação é bem mais negra. Embora as exportações se encontrem em vias de recuperação, o Japão voltou a cair na deflação. Na zona euro, a recuperação já vacilava muito antes da crise grega rebentar e a procura interna estagnou, mesmo em países como a Alemanha, onde as famílias não têm dívidas para pagar.
Em busca de uma saídaEsta disparidade entre o mundo rico e o mundo emergente deve reflectir-se nas suas políticas macroeconómicas. As economias emergentes podem, e devem, largar os seus incentivos e subir as taxas de juro antes que a inflação arranque. Mas nas grandes, fracas e ricas economias é ainda cedo para apertar. Os perigos de repetição dos erros cometidos nos Estados Unidos em 1937 e no Japão em 1997 - quando aumentos prematuros dos impostos e uma política monetária mais apertada empurraram as frágeis economias novamente para a recessão - são maiores do que os riscos de inacção. Com o produto tão abaixo do potencial e o crescimento do crédito estagnado, há poucas hipóteses para uma inflação sustentada. Na maior parte dos países, nem o medo dos investidores em dívida pública deve levar a uma repentina austeridade orçamental. A lição a retirar das angústias da Grécia, Espanha e Portugal não é de que todos os défices são actualmente perigosos, mas que os governos devem fazer mais para controlar os seus défices e impulsionar o crescimento económico a médio prazo, de forma a criar espaço para algum alívio hoje.
A maior parte das economias grandes e ricas absorveram metade desta mensagem. Na sua reunião do dia 6 de Fevereiro, os ministros das Finanças do G-7 concluíram, acertadamente, que é demasiado cedo para começar a retirar incentivos. Mas nenhum país rico apresentou um plano orçamental credível a médio prazo. No topo da lista devem estar as reformas, como, por exemplo, o aumento da idade da reforma ou os benefícios futuros para carência de recursos, que melhoram as perspectivas fiscais dos países sem encrespar a procura actual. A França inclina-se na direcção certa, com a sua proposta de revisão do sistema de pensões, mas o novo Orçamento dos Estados Unidos, que apontava simplesmente para o médio prazo, foi uma falha chocante nesse aspecto. Igualmente importante é uma agenda mais explícita para incentivar o crescimento a médio prazo. Para minimizar o risco de caírem numa situação confusa ao estilo japonês de uma elevada dívida pública e um crescimento lento, as economias do mundo rico devem estimular a produtividade, encorajar o investimento e fomentar a concorrência, o que aponta para um novo centro fulcral direccionado para o comércio livre, o corte da despesa em vez do aumento dos impostos e o acordo quanto a uma nova regulação financeira. Parte da tensão actual provém do 'risco das políticas'. Ninguém - nem as empresas, nem os bancos, nem as pessoas - tem bem a certeza para onde se dirige a política governamental. Quanto mais os governos puderem fazer para reduzir essa incerteza, mais forte será provavelmente a recuperação.
o ano passado eram os bancos; este ano são os países. A crise económica, que parecia ter abrandado no final de 2009, parece estar de novo em plena actividade, à medida que surge a ameaça de não cumprimento das obrigações da dívida soberana.
Os líderes europeus tentam a todo o custo evitar o maior desastre financeiro da história de 11 anos do euro. Esta semana todas as atenções estão concentradas na Grécia que, a haver incumprimento, será o primeiro caso entre os membro da União Europeia (UE). À hora de ida para o prelo de "The Economist", os líderes da UE encontravam-se reunidos para decidir o que fazer. Falava-se de um plano de emergência liderado pelos alemães que, no caso de ir para a frente, poderá também abranger outros candidatos europeus. Os mercados obrigacionistas estão preocupados com a capacidade de Espanha, Irlanda e Portugal reembolsarem as suas dívidas, obrigando estes países a aumentar os impostos e a cortar na despesa, mesmo encontrando-se atolados na recessão.
Os problemas na Europa têm dado aos investidores razões de sobra para preocupações, mas não são, no entanto, a única causa de ansiedade. As alterações de políticas a nível mundial também assustaram os investidores. O Governo chinês começou a refrear no mês passado a concessão de financiamentos, preocupado com a inflação crescente e as 'bolhas' de activos. O banco central da Índia aumentou os requisitos de reservas e o incentivo fiscal no Brasil está a ser retirado de forma faseada. Os grandes bancos centrais a nível mundial liquidam gradualmente as facilidades de liquidez de emergência que introduziram no pico da crise. O 'alívio quantitativo', o processo de imprimir moeda para comprar títulos com maturidades mais longas, está a chegar ao fim - ou, pelo menos, está a ser suspenso temporariamente.
Todas estas circunstâncias atingiram os preços dos activos. Os mercados accionistas caíram acentuadamente, os preços das matérias-primas diminuíram drasticamente e a volatilidade subiu. O índice MSCI World dos preços globais das acções caiu em quase 10%, a partir do seu ponto alto do dia 14 de Janeiro. O optimismo relativamente a uma recuperação em forma de V está a ser substituído por um pessimismo quanto a uma recessão com uma recaída (double-dip), crescendo o receio de os decisores políticos serem obrigados ou escolherem por engano eliminar os apoios monetários e fiscais precocemente.
A Acrópole já?Três factores determinarão se estes receios são justificados. O primeiro é a força da recuperação - se é auto-sustentável ou se ainda se apoia em incentivos do Governo. O segundo é a proporção dos problemas da dívida soberana - se a Grécia constitui um problema isolado em termos da má situação financeira ou se os investidores perdem confiança noutros governos seriamente endividados. O terceiro é a destreza com que os bancos centrais e os ministros das Finanças a nível mundial concebem e coordenam o cancelamento dos incentivos políticos.
O quadro sobre o crescimento global está cada vez mais dividido. As grandes economias emergentes estão em melhor estado, com um forte crescimento da procura interna e pouca capacidade produtiva de sobra. Países como a Índia e o Brasil já puseram a depressão para trás das costas. Considerando a escala da sua concessão de financiamentos estatais, a economia da China está vulnerável a um aperto repentino por parte dos burocratas. Mas apesar de todas as preocupações dos mercados, há poucos indícios de que aperte demasiado e muito rapidamente. É possível um abrandamento, é mesmo desejável, mas um deslize grave parece ser pouco provável.
O mesmo não se aplica ao mundo rico, onde há ainda poucos indícios de um forte crescimento da procura privada. Os últimos valores do PIB norte-americano, ainda que optimistas, são enganadores. O produto aumentou a uma taxa anualizada de 5,7% no último trimestre de 2009, principalmente porque as empresas estavam a recompor as suas existências. Com a economia ainda a dispensar empregos (embora a uma taxa inferior), os preços das acções a caírem, o mercado imobiliário ainda vacilante e a dívida das famílias a encolher, é provável que as despesas correntes permaneçam paradas. Nem será provável que as firmas, com tanta capacidade desaproveitada, embarquem em investimentos. Na Europa e no Japão a situação é bem mais negra. Embora as exportações se encontrem em vias de recuperação, o Japão voltou a cair na deflação. Na zona euro, a recuperação já vacilava muito antes da crise grega rebentar e a procura interna estagnou, mesmo em países como a Alemanha, onde as famílias não têm dívidas para pagar.
Em busca de uma saídaEsta disparidade entre o mundo rico e o mundo emergente deve reflectir-se nas suas políticas macroeconómicas. As economias emergentes podem, e devem, largar os seus incentivos e subir as taxas de juro antes que a inflação arranque. Mas nas grandes, fracas e ricas economias é ainda cedo para apertar. Os perigos de repetição dos erros cometidos nos Estados Unidos em 1937 e no Japão em 1997 - quando aumentos prematuros dos impostos e uma política monetária mais apertada empurraram as frágeis economias novamente para a recessão - são maiores do que os riscos de inacção. Com o produto tão abaixo do potencial e o crescimento do crédito estagnado, há poucas hipóteses para uma inflação sustentada. Na maior parte dos países, nem o medo dos investidores em dívida pública deve levar a uma repentina austeridade orçamental. A lição a retirar das angústias da Grécia, Espanha e Portugal não é de que todos os défices são actualmente perigosos, mas que os governos devem fazer mais para controlar os seus défices e impulsionar o crescimento económico a médio prazo, de forma a criar espaço para algum alívio hoje.
A maior parte das economias grandes e ricas absorveram metade desta mensagem. Na sua reunião do dia 6 de Fevereiro, os ministros das Finanças do G-7 concluíram, acertadamente, que é demasiado cedo para começar a retirar incentivos. Mas nenhum país rico apresentou um plano orçamental credível a médio prazo. No topo da lista devem estar as reformas, como, por exemplo, o aumento da idade da reforma ou os benefícios futuros para carência de recursos, que melhoram as perspectivas fiscais dos países sem encrespar a procura actual. A França inclina-se na direcção certa, com a sua proposta de revisão do sistema de pensões, mas o novo Orçamento dos Estados Unidos, que apontava simplesmente para o médio prazo, foi uma falha chocante nesse aspecto. Igualmente importante é uma agenda mais explícita para incentivar o crescimento a médio prazo. Para minimizar o risco de caírem numa situação confusa ao estilo japonês de uma elevada dívida pública e um crescimento lento, as economias do mundo rico devem estimular a produtividade, encorajar o investimento e fomentar a concorrência, o que aponta para um novo centro fulcral direccionado para o comércio livre, o corte da despesa em vez do aumento dos impostos e o acordo quanto a uma nova regulação financeira. Parte da tensão actual provém do 'risco das políticas'. Ninguém - nem as empresas, nem os bancos, nem as pessoas - tem bem a certeza para onde se dirige a política governamental. Quanto mais os governos puderem fazer para reduzir essa incerteza, mais forte será provavelmente a recuperação.
domingo, 21 de fevereiro de 2010
O Purgatório
por esta altura, deve-se discutir no parlamento a especialidade do OE2010, visto que na generalidade foi aprovado (e a meu ver muito bem, pois não beneficiaria em nada o país ver o OE2010 ser reprovado no actual contexto económico), e discute-se agora a especialidade, ou seja desde a sua elaboração até ser posto efectivamente em prática terão passado cerca de 4 meses(arrisco eu dizendo que entrará em vigor nos finais de Março, e pensando já que é um desfasamento interno demasiado grande).
decidi então fazer um pequeno apanhado dos pontos que mais me cativaram a atenção.
neste OE2010, o estado decidiu apoiar o ecológico, quer criando beneficios fiscais para casas de alta eficiência, e também para carros hibridos ou totalmente ecológicos, contudo neste último ponto, não é muito claro, mas ao que parece apenas os 5000 1ºs compradores irão beneficiar do dito apoio do estado, ora, isso parece-me um pouco discriminador, pois 5000 veiculos apenas atingem um nicho de mercado. na minha opinião, quando se aposta no ecológico, deveriam ser benficiadas as grandes massas, caso contrário esta medida não tem grande utilidade, pois não reduz a poluição dos combustiveis fosseis para niveis aceitáveis, é como se costuma dizer, para inglês ver. desta medida então, a aposta nas casas de alta eficência energética é bem vinda, mas a aposta nos veiculos não poluidores é claramente ineficaz .
outra medida foi a não subida dos salários da função pública associada a uma inflação prevista de 0,8%, traduzindo-se assim num perda do salário real.
esta, é realmente uma medida impopulista, mas necessária de fazer do ponto de vista colectivo(do ponto de vista individual, muito poucos são aqueles que atingindo um patamar de salário, gostam ou aceitam perder parte dele em prol de um comunidade, excepção feita a familias duramente afectas pelo desemprego, que simplesmente não tem escolha).
essa medida é bem vinda na economia, pois neste momento, os salários excediam a produtividade, e sabemos que W(wage)=P(X,Y,Z,K), em que P é uma função produtividade tendo em conta vários factores tai como capital, formação etc etc, ora na função pública( e é quse unanime esta "generalização") a produtividade está longe do salário que auferem( talves devido à demasiada estabilidade que existe no emprego, que cria uma certa acomodação rotineira de tarefas), por isso, ao perderem salário real estão novamente a tentar reequilibrar esta equação (é obvio que não é uma medida justa a 100%, pois existem funcionarios cuja produtividade é maior que o salário que dispoem).
seguindo então esta politica de não crescmento do salário nominal, o estado garante no futuro um pouco menos de despesa pública, na minha opinião esta medida é acertada, embora negativa para os mercados.
um outra medida que me deixou com algum agrado, foi a de "promessa" de reembolsos mais rápidos do IRS, pois assim sendo, mais depressa estes fundos chegam às familias, aumentando assim o seu rendimento disponivel, e aumentando o rendimento da economia pelo lado da despesa via consumo privado( e potenciando assim um pequeno ganho real face à inflação, embora seja sempre muito pequeno dado o horizonte temporal que se fala).
uma outra medida, que inicialmente era de um carácter populista foi o apoio dado peloe estado às contas poupança-futuro, inicilamente previa 200€ para cada recém nascido, embora familias com filhos menores de 8 anos também se poderem candidatar,esta medida era terrivel quer para as contas publicas, quer para as familias que não possuiam grandes incentivos para usufruirem, pois estas só podem ser movimentadas quando é atingida a maioridade, ora 200€ a prazo, daqui a 18 anos valem em termos reais exactamente o mesmo(pois as taxas de juo tem tendecia a compensar a inflação). contudo,o estado por via de discussão com os outros partidos para a aprovação do OE2010, decidu abranger os beneficios entao criados a todas as contas poupança-futuro, numa medida clara de incentivar a poupança, ajudando assim as familas a criarem a tão falada "almofada" do post anterior.
deste OE2010, só me falta falar das grandes obras públicas previstas, que o governo parece ter abdicado num grande parcela gráças às expectativas criadas sobre a divida pública pelas agências de rating, contudo disso falarei mais tarde.
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010
O único caminho a a seguir para sair sustentávelmente da crise...
" Retoma não virá pelo lado do consumo privado
A incerteza sobre o cenário macroeconómico e os efeitos devastadores do desemprego limitam o comportamento das famílias no curto prazo em termos de consumo, diz um estudo publicado por investigadores do Fundo Monetário Internacional.
O consumo privado não será o motor da retoma de crescimento económico do G7 (Estados Unidos, Japão, Alemanha, França, Reino Unido, Itália e Canadá) nem de mais outros 9 membros da OCDE (Austrália, Áustria, Bélgica, Espanha, Finlândia, Holanda, Irlanda, Noruega e Suécia), concluiu um estudo de investigação levado a cabo por Franziska Ohnsorge, economista sénior do Banco Europeu para a Reconstrução e o Desenvolvimento (BERD), e Ashoka Mody, director-adjunto do Departamento Europeu do Fundo Monetário Internacional (FMI).
A importância do assunto é evidente. Nos Estados Unidos, o consumo privado pesa 70% no produto interno bruto (PIB), na Alemanha 60%, e no caso português 66,5% em 2008, segundo o recente relatório do Orçamento de Estado para 2010.
O estudo, com suporte econométrico, publicado pelos "Working Paper" do FMI, abrange um período longo de análise entre meados dos anos 1980 e 2007, antes de o irromper do pânico financeiro, e permitiu aos dois investigadores verificar que, em períodos depressivos ou mesmo de transição de ciclo económico da recessão para a retoma, há um "protagonista" que troca as voltas às dinâmicas do consumo privado.
Chama-se incerteza, uma variável a que Keynes já nos anos 1930 - por exemplo, nas célebres "cartas abertas" ao presidente norte-americano Roosevelt em 1933 e 1938 - dava grande ênfase, e que neste estudo se procura avaliar empiricamente.
Volatilidade económica
Esse estado de alma deriva do disparo do desemprego e das falências e das expectativas que as famílias manifestam em relação a essas situações de destruição do tecido económico. E depende até de uma variável de contexto, mais abrangente, que os dois investigadores, também, analisaram e que tem a ver com a "volatilidade económica", avaliada pelo desvio entre as previsões de crescimento e os números que depois se concretizam na realidade. Tais "desvios", quando são elevados, têm impacto real na atitude das famílias que tendem a equacionar probabilidades de "acontecimentos catastróficos" ou a manifestar "medo" pelos riscos que uma "cauda longa" pode trazer no final, sem que sejam, ainda visíveis.
Este estado de alma traduz-se num comportamento dos agregados familiares que Ohnsorge e Mody designam de "comportamento de precaução". Tal comportamento constrange o consumo privado no curto prazo até que uma dada almofada de segurança seja reconstruída, "o que leva tempo", sublinha o estudo. "Verificámos, no curto prazo, que a incerteza contínua afectando o rendimento, reduz significativamente o crescimento do consumo", refere, também, o estudo.
Efeito de precaução
O que gera o tal efeito de precaução. "A teoria económica - Keynes nomeadamente - e os resultados empíricos sugerem que os agregados familiares, nestas circunstâncias, tendem a acumular poupanças como almofada de precaução", diz-nos a investigadora em entrevista. "A implicação desta atitude de emergência é que, naturalmente, parte das transferências dos governos para as famílias e algum alívio fiscal será mais poupado do que gasto no consumo", prossegue.
Os dois investigadores verificaram que um aumento do desemprego na ordem de 1 ponto percentual reduz a taxa de crescimento do consumo privado em 0,75 pontos percentuais e que 1 ponto percentual no "desvio" sobre o crescimento económico vê associada uma quebra de 0,9 pontos percentuais na dinâmica de aumento do consumo. Por outro lado, um estudo da OCDE, referido recentemente pelo World Economic Forum (Global Risks 2010), referia que 1 ponto percentual de aumento no desemprego gera um aumento da dívida pública até 3% do PIB num horizonte de dez anos.
Sem dúvida que é importante realizar essas transferências para segurar o rendimento real de muitas famílias afectadas pela depressão, mas os governos têm de saber que tais operações não são decisivas para fazer disparar o consumo. "A estabilidade do contexto macroeconómico é, também, importante. Apesar da volatilidade global económica e financeira ter diminuído substancialmente, continua a estar relativamente alta. Aliás, com o desemprego a continuar a crescer, mesmo já fora do período de recessão, quer o nível como o grau de incerteza no rendimento disponível continuam altos", diz Ohnsorge.
Mudanças no comportamento do investimento
O estudo verificou, ainda, que há duas outras variáveis que, também, actuam como factores desaceleradores do crescimento do consumo privado: a instabilidade financeira, e a própria diminuição drástica da riqueza em valores financeiros provocada pela crise financeira, e a diminuição da população activa por efeito do envelhecimento populacional.
A concluírem referem que a viragem para a exportação também se vê confrontada com a maldita da volatilidade - aliás tende a ser "ainda mais significativa do que no caso do consumo" - e que "são necessárias mudanças de comportamento no investimento".
Efeitos não lineares
O estudo revela, ainda, outro efeito interessante relativo com a riqueza das famílias. Ou seja, um aumento desta, por efeito de um melhor ambiente bolsista ou na economia real, não se traduz automaticamente em aceleração do consumo privado.
"Observámos efeitos não lineares", dizem os investigadores. "O aumento do consumo não responde directamente ao crescimento da riqueza até ao ponto em que essa riqueza atinge um patamar que os agregados familiares consideram uma almofada suficiente para fazer face à incerteza. A partir do momento em que esse nível é atingido, então o aumento da riqueza e o consumo andam a par".
Por isso, é de esperar "pela frente um período de crescimento lento do consumo, até que as famílias reconstruam o seu nível de segurança".
Franziska Ohnsorge refere, no entanto, que o estudo não tomou em linha de conta o património imobiliário, hoje em dia, para muitas famílias da classe média, a sua fatia mais gorda da sua riqueza." in EXPRESSO online